sexta-feira, 23 de junho de 2017

Deus está todo em toda parte - Agostinho de Hipona

Agostinho de Hipona (Aurelius Augustinus - 354-430 D.C.), sacerdote e filósofo cristão do século IV, escreve no seu Livro "Confissões":

"Encerram-Vos, portanto, o céu e a terra porque os encheis?
Ou, enchendo-os, resta ainda alguma parte de Vós, já que eles Vos não contém?
E, ocupado o céu e a terra, para onde estendereis o que resta de Vós?
Ou não tendes necessidade de ser contido em alguma coisa, Vós que abrangeis tudo, visto que as coisas que encheis as ocupais, contendo-as?
Não são, pois, os vasos cheios de Vós que Vos tornam estável, porque, ainda que se quebrem, não Vos derramais.
E quando Vos derramais sobre nós, não jazeis por terra, mas levantai-nos, nem Vos dispersais, mas recolheis-nos.

Vós, porém, que tudo encheis, não ocupais todas as coisas com toda a vossa grandeza?
E, já que não podem conter-vos todas as criaturas, encerram elas parte de Vós e contém simultaneamente a mesma parte?
Ou cada parte contém a sua, as maiores, as partes maiores, as menores, as partes menores?
Há então uma parte maior e outra menor de Vós - ou estais inteiro? em toda a parte e nenhuma coisa Vos contém totalmente?"¹

As arguições filosóficas de Agostinho nos levam à reflexões profundas e necessárias para aquele(a) que deseja conhecer mais sobre Deus. Mesmo aqueles que não aceitam a ideia de um Ser superior. Criador de todas as coisas e tudo o que existe.

Vianna de Carvalho através da psicografia de Divaldo Pereira Franco esclarece:

"Em nível algum da Criação encontra-se ausente a Divina Inteligência que tudo permeia e vitaliza, encaminhando à harmonia vibratória mesmo as partículas infinitesimais que constituem o Universo."²

Em sua obra "A Gênese", Allan Kardec também dedica sua atenção no capítulo 2º, destinado a estudar sobre Deus,  uma passagem denominada como "A Providência".

"A providência é a solicitude de Deus pelas suas criaturas. Deus está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às menores coisas: é nisto que consiste sua ação providencial".

"Como é que Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, pode imiscuir-se em detalhes ínfimos, preocupar-se com os menores pensamentos de cada indivíduo? Essa é a pergunta que a si mesmo faz o incrédulo, de onde ele conclui que ao admitir a existência de Deus, sua ação não deve estender-se senão à leis gerais do universo; que o universo funciona por toda a eternidade em virtude destas leis às quais cada criatura está submetida em sua esfera de atividade, sem que seja necessário o incessante concurso da Providência³.

"Suponhamos um fluido bastante sutil para penetrar todos os corpos; este fluido, sendo não-inteligente, age mecanicamente, seguindo unicamente as leis materiais; mas se supusermos que este fluido seja dotado de inteligência, de faculdades perceptivas e sensitivas, agirá, não mais cegamente, mas com discernimento, com vontade e liberdade; ele verá, ouvirá e sentirá"³.

O filósofo Pietro Ubaldi nos aponta a seguinte conclusão:

"O homem evangélico vive desarmado em meio a indivíduos armados até os dentes, e deve desinteressar-se da própria pessoa, embora no meio da mais feroz avidez. Então, que forças vitais o defendem e impedem a destruição de seu produto mais perfeito? Respondemos: a Divina Providência. Trata-se na verdade do imponderável que, por isso, escapa à sensibilidade grosseira do involuído. É uma força real, inteligente, que funciona segundo lei própria,  fenômeno sempre pronto a verificar-se, desde que se apresentem reunidos os elementos determinantes. E também isso é lógico. O fenômeno, sem dúvida alguma, existe, é susceptível de experimentação e influi até mesmo no campo dos efeitos utilitários, se o mecanismo das forças resultantes é posto em ação no momento exato. Torna-se necessário, antes de mais nada, compreender a lei desse fenômeno e expor as condições necessárias para que ele se verifique. Quais são essas condições? Ei-las:

 1) Merecer a ajuda;
2) Haver, antes de mais nada, esgotado as possibilidades das suas próprias forças;
3) Estar, de acordo com suas condições, em estado de necessidade absoluta;
4) Pedir o necessário e nada mais;
5) Pedir humildemente, com submissão e fé.

Quando essas condições se realizam, a Divina Providência está em condições de funcionar a favor de todos". 4

E você?
Como imagina que a Providência Divina age?
De que forma Deus chega à você? Ou você chega à Deus?


1 - Os Pensadores - Santo Agostinho - Abril Cultural - 1999
2 - Atualidade do Pensamento Espírita - Espírito Vianna de Carvalho - Psicografia Divaldo Pereira Franco - Alvorada Editora - 1998. Pag. 151.
3 - A Gênese - Allan Kardec - Tradução Victor Tollendal Pacheco - Editora LAKE - 2001. Pag. 50.
4 - Ubaldi, Pietro. A Nova Civilização do Terceiro Milênio
http://www.pietroubaldi.org.br/mensagens-2/965-a-divina-providencia
Visitado em 23/06/17



terça-feira, 13 de junho de 2017

O Cristo não nos pediu muita coisa...

























Dentro de sua inteligência amorosa, Chico nos faz um convite ao mesmo tempo racional e afável.

Quantas situações desastrosas podemos evitar.
Às vezes por não conseguirmos segurar uma palavra ou frase mais ácida.
Em outros momentos, por não prestar a devida atenção, àquele(a) que nos cruza o caminho.
Um sorriso que pode desmanchar ocasiões desagradáveis.
Um abraço que pode calar uma mágoa.

Durante muito tempo, pensávamos que Jesus queria de nós, atitudes que não conseguíamos ainda alcançar. Imaginávamos uma santidade que ainda não podemos ostentar. Daí passamos (enquanto sociedade) a nos distanciar. E esse distanciamento deságua em todos os atuais problemas da civilização.

Esta mensagem nos alerta que dentro da simplicidade de nossas vidas, podemos fazer muito. Mesmo imaginando que seja pouco. O importante é não deixar passar oportunidades de ser útil.

Nos dias de hoje, o amor é mais falado que vivido. Às vezes até sem sentimento, sem essência.

"Entretanto, nem sempre se deve fiar nas aparências, pois a educação e o traquejo do mundo podem dar o verniz dessas qualidades. Quantos há, cuja fingida bonomia é apenas uma máscara para uso externo, uma roupagem cujo corte bem calculado disfarça as deformidades ocultas!"¹

O "Amai-vos uns aos outros", ainda não foi totalmente compreendido em sua totalidade. 
A grande rede de amor que pode e deve ser estendida por toda a humanidade.

O bem que se faz, se recebe mais adiante. 
Contudo, não da forma como se entende na civilização. 
Houve um desvirtuamento do sentido da frase.
Quando se tenta compreender de forma material, o resultado é desastroso.

Para terror dos materialistas, o amor não se mede, mas existe. E funciona!



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A Cólera - Como evitar?

        -     O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes uma comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. Que sucede então? Entregai-vos à cólera.

Assim inicia "Um Espírito protetor" inicia a mensagem que consta do item 9, capítulo 9 de "O Evangelho Segundo o Espiritismo".

Uma verdadeira abordagem psicológica sobre alguns dos motivos que nos leva a encolerizar-nos.

Em um verdadeiro retorno às eras animalescas, o homem se atira à fúria, muitas vezes por motivos fúteis, em que ele mesmo quando para e pensa, se arrepende do ocorrido.

Percebe então que deixou para trás uma oportunidade de pensar, refletir e agir de forma diferente.

Nos fala Joanna de Ângelis em "Desperte e seja feliz":

     -     Herança da natureza animal predominante no ser humano, a tendência ao litígio, à competição, à dissensão torna-se, a pouco e pouco, com essa característica do primarismo de que não se libertou, agressiva e hedionda.

Dissentir é, muitas vezes, uma atitude saudável, quando não se está de acordo por uma ou outra razão. No entanto, transformar a sua discordância em motivo de litígio é injustificável, somente compreensível por tratar-se de remanescente da inferioridade moral do opositor.

A fim de manter o seu "Ponto de vista", o litigante não raro, urde mecanismo de violência, recorrendo à calúnia, à infâmia, à agressão inqualificável.

Quantas vezes, percebemos pessoas que abandonam a calma, por um instante de incômodo. Se conseguir segurar o ímpeto que irrompe do que o ser possui de mais irracional.

Tivemos uma oportunidade de viver uma determinada situação no nosso trabalho de apresentador de rádio. Entrevistamos uma determinada pessoa, que até estava mantendo um nível equilibrado, quando em determinado momento fiz uma pergunta, em que visivelmente ele se alterou e respondeu de forma grosseira.

Continuamos com a entrevista abordando outros assuntos, como se nada tivesse acontecido.

Depois, vim a saber que o tema perguntado, afligia diretamente o entrevistado pois acarretava em prejuízo financeiro para ele. Daí vem a pergunta; o que o entrevistador tinha a ver com a situação?
Dava para responder de forma equilibrada?
Dava.
Só que ele misturou as emoções e vomitou na pessoa que o estava entrevistando.

Imaginemos a carga energética vinda nesse instante.
O entrevistador não aceitou a carga.
Mas, não agiu com revide. Não aderiu à onda mental enviada.
Pelo contrário, abordou outras questões e finalizou a entrevista de forma pacífica.

É fácil deixar de reagir?
Não, não é fácil. O primeiro pensamento ainda é aquele de usar a mesma moeda. De contra-atacar.
Se vingar.
Aí onda entra a reflexão.
Aonde vai lhe levar uma explosão de sentimentos?
Talvez a uma situação em que possa se arrepender no futuro.

Continuaremos essa abordagem...


segunda-feira, 16 de março de 2015

Um olhar sobre o momento


O dia 15 de março pode ser considerado outro marco na história recente brasileira.

Não somente perante os fatos políticos, mas também sociológicos.

Pessoas nas ruas de várias capitais do país denunciando, cobrando e até punindo verbalmente atores do poder nacional.

Não podemos esquecer que no ano de 2013 vivemos momentos semelhantes. E que acabaram no esquecimento.

A leitura que fazemos, é que o próprio povo está cansado de ser enganado. As pessoas gostariam que os bons exemplos viessem daqueles que estão no poder. Mas, paremos para uma reflexão.

O poder terrestre é temporário. Amanhã, muitos dos que estão indo às ruas, poderão estar envergando as túnicas do poder. Exemplo claro é que Lindberg Farias, um dos caras-pintadas no início dos anos, acabou de ser incluído na lista de investigados do procurador da república.

Será que no dia-a-dia, nós agimos com ética? com respeito? com educação? com honestidade?

Qual a nossa postura perante as pessoas que convivem conosco?

E diante de nossos filhos? O que deixamos como exemplo?

Sabemos que o "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço", perde totalmente o seu valor moral.

Que possamos cobrar, mas também "nos cobrar" a cada dia. Responsáveis que somos pela nossa própria evolução.

Muita paz.

Marcelo Araújo

Foto: UOL
 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Meu Brasil não é carnaval - Por Bruno Tavares

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O futuro e o nada

O futuro e o nada

(O Céu e o Inferno - Primeira Parte - Doutrina - Capítulo I.)

1. Nós vivemos, pensamos, agimos, o que é positivo; morremos, não é menos certo. Mas ao deixar a terra, para onde vamos? O que nos tornamos? Ficaremos melhor ou pior? Seremos nós ou não seremos nós? Ser ou não ser, tal é a alternativa; é para sempre ou nunca; é tudo ou nada: ou viveremos eternamente, ou tudo estará acabado sem retorno. Vale a pena pensar nisso.
Todo homem sente a necessidade de viver, gozar, amar, ser feliz. Dizei àquele que sabe que vai morrer que viverá ainda, que sua hora foi adiada; dizei-lhe acima de tudo que será mais feliz do que foi, e seu coração vai palpitar de alegria. Mas de que serviriam estas aspirações de felicidade se um sopro pode fazê-las desvanecer?
Haverá alguma coisa mais desesperadora do que este pensamento da destruição absoluta? Afeições santas, inteligência, progresso, saber laboriosamente adquirido, tudo seria interrompido, tudo estaria perdido! Qual a necessidade de se esforçar para se tornar melhor, de se dominar para reprimir as paixões, de se cansar para ocupar o espírito, se não se deve daí colher nenhum fruto, acima de tudo com o pensamento de que amanhã talvez isso já não nos sirva de nada? Se fosse assim, o destino do homem seria cem vezes pior do que o da besta, pois a besta vive inteiramente no presente, na satisfação de seus apetites materiais, sem aspiração quanto ao futuro. Uma intuição secreta diz que isso não é possível.
2. Pela crença no nada, o homem concentra forçosamente todos os seus pensamentos na vida presente; não se poderia, com efeito, logicamente se preocupar com um futuro que não se aguarda. Esta preocupação exclusiva com o presente conduz naturalmente a pensar em si antes de tudo; é portanto o mais poderoso estimulante do egoísmo, e o incrédulo é consequente consigo mesmo quando chega a esta conclusão: Gozemos enquanto aqui estamos, gozemos o máximo possível visto que depois de nós está tudo acabado; gozemos depressa, porque não sabemos quanto isso durará; e a esta outra, muito mais grave para a sociedade: Gozemos à custa de qualquer um; cada um por si; a felicidade, aqui na Terra, é do mais hábil.
Se o respeito humano retém alguns, que freio podem ter aqueles que nada temem? Dizem a si mesmos que a lei humana não atinge senão os inábeis; é por isso que aplicam seu gênio aos meios de se esquivar dela. Se há uma doutrina nociva e antissocial, é seguramente a do niilismo [néantisme], porque ela rompe os verdadeiros laços da solidariedade e da fraternidade, fundamentos das relações sociais.
3. Suponhamos que, por uma circunstância qualquer, um povo inteiro adquire a certeza de que dentro de oito dias, dentro de um mês, dentro de um ano, será aniquilado, que nenhum indivíduo sobreviverá, que não restará mais nenhum traço dele depois da morte; o que ele fará durante esse tempo? Trabalhará para seu aperfeiçoamento, sua instrução? Fará esforço para viver? Respeitará os direitos, os bens, a vida de seu semelhante? Submeter-se-á às leis, a uma autoridade, seja ela qual for, mesmo a mais legítima: a autoridade paterna? Haverá para ele um dever qualquer? Seguramente não. Pois bem! O que não ocorre em massa, a doutrina do vazio realiza todo dia de forma isolada. Se as consequências não são tão desastrosas quanto poderiam, é porque primeiramente na maioria dos incrédulos há mais bravata do que verdadeira incredulidade, mais dúvida que convicção, e eles têm mais medo do nada do que querem demonstrar; o título de espírito independente lisonjeia-lhes o amor-próprio; em segundo lugar, os incrédulos absolutos são ínfima minoria; sofrem a contragosto o ascendente da opinião contrária e são mantidos por uma força material; mas se a incredulidade absoluta chegar um dia ao estado de maioria, a sociedade estará em dissolução. É ao que tende a propagação da doutrina do niilismo[1].
Sejam quais forem as consequências, se ela fosse verdadeira, seria preciso aceitá-la, e não seriam sistemas contrários, nem o pensamento do mal que daí resultaria, que poderiam fazer que ela não fosse. Ora, não se deve dissimular que o ceticismo, a dúvida, a indiferença, ganham terreno a cada dia, apesar dos esforços da religião; isto é positivo. Se a religião é impotente contra a incredulidade, é porque lhe falta alguma coisa para combatê-la, de tal modo que se ela permanecesse na imobilidade, em um tempo dado estaria irremediavelmente ultrapassada. O que lhe falta neste século de positivismo, em que se quer compreender antes de crer, é a sanção de suas doutrinas por fatos positivos; é também a concordância de certas doutrinas com os dados positivos da ciência. Se ela diz branco e os fatos dizem preto, é preciso optar entre a evidência e a fé cega.
4. É neste estado de coisas que o Espiritismo vem opor um dique à invasão da incredulidade, não só pelo raciocínio, não só pela perspectiva dos perigos que ela acarreta, mas pelos fatos materiais, fazendo tocar com o dedo e com o olho a alma e a vida futura.
Cada qual é livre sem dúvida em sua crença, de crer em alguma coisa ou de não crer em nada; mas aqueles que procuram fazer prevalecer no espírito das massas, sobretudo da juventude, a negação do futuro, apoiando-se na autoridade de seu saber e no ascendente de sua posição, semeiam na sociedade germes de distúrbio e de dissolução, e incorrem numa grande responsabilidade.
5. Há outra doutrina que se defende de ser materialista porque admite a existência de um princípio inteligente fora da matéria, é a da absorção no Todo Universal. Segundo esta doutrina, cada indivíduo assimila no nascimento uma parcela desse princípio que constitui sua alma e lhe dá a vida, a inteligência e o sentimento. Na morte, essa alma retorna à origem comum e perde-se no infinito como uma gota d’água no Oceano.
Esta doutrina está sem dúvida um passo adiante do materialismo puro, visto que admite alguma coisa, ao passo que a outra não admite nada, mas as consequências são exatamente as mesmas. Quer o homem esteja mergulhado no nada ou no reservatório comum, é o mesmo para ele; se, no primeiro caso, ele é aniquilado, no segundo perde a individualidade; portanto, é como se não existisse; as relações sociais são rompidas para sempre. O essencial para ele é a conservação de seu eu; sem isso, que lhe importa ser ou não ser! O futuro para ele é sempre nulo, e a vida presente a única coisa que lhe interessa e o preocupa. Do ponto de vista de suas consequências morais, esta doutrina é tão nociva, tão desesperadora, tão excitante do egoísmo quanto o materialismo propriamente dito.
6. Pode-se, além disso, fazer-lhe a seguinte objeção: todas as gotas d’água tiradas do oceano se parecem e têm propriedades idênticas, como as partes de um mesmo todo; por que as almas, sendo tiradas do grande oceano da inteligência universal, se parecem tão pouco? Por que o gênio ao lado da estupidez? As mais sublimes virtudes ao lado dos vícios mais ignóbeis? A bondade, a doçura, a mansidão, ao lado da maldade, da crueldade, da barbárie? Como as partes de um todo homogêneo podem ser tão diferentes umas das outras? Dir-se-á que é a educação que as modifica? Mas então de onde vêm as qualidades nativas, as inteligências precoces, os instintos bons e maus, independentes de toda educação, e com frequência tão pouco em harmonia com os meios onde se desenvolvem?
A educação, sem dúvida nenhuma, modifica as qualidades intelectuais e morais da alma; mas aqui se apresenta outra dificuldade. Quem dá à alma a educação para fazê-la progredir? Outras almas que, por sua origem comum, não devem estar mais avançadas. E depois, aliás, de que serve este aperfeiçoamento, de que servem tantos esforços para adquirir talentos e virtudes, de que serve trabalhar para o progresso da humanidade, se tudo isso deve ir se precipitar e se perder no oceano do infinito, sem proveito para o futuro de cada um? Mais valeria permanecer o que se é, selvagem ou não, beber, comer, dormir tranquilamente sem se torturar o espírito. Por outro lado, a alma, voltando ao Todo Universal de onde saíra, depois de ter progredido durante a vida, traz um elemento mais perfeito; de onde decorre que esse todo deve, com o tempo, ficar profundamente modificado e aperfeiçoado. Como explicar que saiam daí incessantemente almas ignorantes e perversas?
7. Nesta doutrina, a fonte universal de inteligência que fornece as almas humanas é independente da divindade, ser superior e distinto que anima tudo por sua vontade; não é precisamente o panteísmo. O panteísmo propriamente dito difere dela, segundo ele, em que o princípio universal de vida e de inteligência é o próprio Deus. Deus é ao mesmo tempo espírito e matéria; todos os seres, todos os corpos da natureza compõem a divindade da qual são as moléculas e os elementos constitutivos; numa palavra, Deus está em tudo e tudo é Deus; Deus é o conjunto de todas as inteligências reunidas; cada indivíduo, sendo uma parte do todo, é ele mesmo Deus; nenhum ser superior e independente comanda o conjunto; o universo é uma imensa república sem chefe, ou melhor, onde cada um é chefe com poder absoluto.
8. A esse sistema podem-se opor inúmeras objeções, das quais as principais são estas. Não podendo a divindade ser concebida sem o infinito das perfeições, pergunta-se como um todo perfeito pode ser formado de partes tão imperfeitas e necessitando progredir. Estando cada parte submetida à lei do progresso, daí resulta que o próprio Deus deve progredir; se ele progride sem cessar, deve ter sido, na origem dos tempos, muito imperfeito. Como um ser imperfeito, formado de vontades e de ideias tão divergentes, pôde conceber as leis tão harmoniosas, de tão admirável unidade, sabedoria e previdência que regem o universo? Se todas as almas são porções da divindade, todas concorreram para as leis da natureza; como explicar que murmurem sem cessar contra essas leis que são sua obra? Uma teoria não pode ser aceita como verdadeira a não ser com a condição de satisfazer a razão e de dar conta de todos os fatos que ela abarca; se um único fato a desmentir, é que ela não está com a verdade absoluta.
9. - Do ponto de vista moral, as consequências são igualmente ilógicas. É primeiro para as almas, como no sistema precedente, a absorção num todo e a perda da individualidade. Se se admitir, segundo a opinião de alguns panteístas, que elas conservam sua individualidade, Deus não tem mais vontade única; é um composto de miríades de vontades divergentes. Depois, sendo cada alma parte integrante da divindade, nenhuma é dominada por um poder superior; ela não incorre, por conseguinte, em nenhuma responsabilidade por seus atos bons ou maus; ela não tem nenhum interesse em fazer o bem e pode fazer o mal impunemente visto que é senhora soberana.
10. - Além do fato de que esses sistemas não satisfazem nem a razão, nem as aspirações do homem, esbarra-se aí, como se vê, em dificuldades intransponíveis, porque eles são incapazes de resolver todas as questões que levantam. O homem tem então três alternativas: o nada, a absorção, ou a individualidade da alma antes e depois da morte. É a esta última crença que a lógica nos leva invencivelmente; é também ela que constituiu o fundo de todas as religiões desde que o mundo existe.
Se a lógica nos conduz à individualidade da alma, ela nos leva também a esta outra consequência: a de que o destino de cada alma deve depender de suas qualidades pessoais; pois seria irracional admitir que a alma atrasada do selvagem e a do homem perverso estejam no mesmo nível que a do erudito e do homem de bem. Segundo a justiça, cada uma deve ter a responsabilidade de seus atos; mas para que sejam responsáveis, é preciso que sejam livres para escolher entre o bem e o mal; sem livre-arbítrio, há fatalidade, e com fatalidade, não poderia haver responsabilidade.
11. - Todas as religiões admitiram igualmente o princípio do destino feliz ou infeliz das almas após a morte, dito de outro modo, das penas e dos gozos futuros que se resumem na doutrina do céu e do inferno que se encontra em toda parte. Mas no que elas diferem essencialmente, é sobre a natureza dessas penas e desses gozos, e sobretudo sobre as condições que podem merecer umas e outros. Daí os pontos de fé contraditórios que deram origem aos diferentes cultos, e os deveres particulares impostos por cada um deles para venerar Deus, e por esse meio ganhar o céu e evitar o inferno.
12. - Todas as religiões precisaram, na sua origem, estar em relação com o grau de avanço moral e intelectual dos homens; estes, ainda demasiado materiais para compreender o mérito das coisas puramente espirituais, fizeram consistir a maioria dos deveres religiosos no cumprimento de fórmulas exteriores. Durante um tempo, essas formas bastaram à sua razão; mais tarde, fazendo-se a luz em seu espírito, eles sentem o vazio que as formas deixam atrás delas, e se a religião não o preenche, eles abandonam a religião e tornam-se filósofos.
13. - Se a religião, apropriada no princípio aos conhecimentos limitados dos homens, tivesse sempre seguido o movimento progressivo do espírito humano, não haveria incrédulos, porque é da natureza do homem ter necessidade de crer, e ele acreditará se lhe derem um alimento espiritual em harmonia com suas necessidades intelectuais. Ele quer saber de onde vem e para onde vai; se lhe mostram um objetivo que não responde nem a suas aspirações nem à ideia que ele faz de Deus, nem aos dados positivos que a ciência lhe fornece; se, ademais, lhe impõem para alcançá-lo condições cuja utilidade sua razão não lhe demonstra, ele repele o todo; o materialismo e o panteísmo parecem-lhe ainda mais racionais, porque aí se discute e se raciocina; raciocina-se errado, é verdade, mas ele prefere raciocinar errado a não raciocinar de modo algum.
Porém, apresentem-lhe um futuro em condições lógicas, digno em todos os pontos da grandeza, da justiça e da infinita bondade de Deus, e ele abandonará o materialismo e o panteísmo cujo vazio sente em seu foro íntimo, e os quais só aceitara na falta de melhor. O Espiritismo dá melhor, eis porque é acolhido com ardor por todos aqueles que a incerteza lancinante da dúvida atormenta e que não encontram nem nas crenças, nem nas filosofias vulgares aquilo que buscam; ele tem a seu favor a lógica do raciocínio e a sanção dos fatos, é por isso que o combateram inutilmente.
14. - O homem tem instintivamente a crença no futuro; mas não tendo até hoje nenhuma base segura para defini-lo, sua imaginação criou os sistemas que trouxeram a diversidade nas crenças. Não sendo a doutrina espírita sobre o futuro uma obra de imaginação mais ou menos engenhosamente concebida, e sim o resultado da observação dos fatos materiais que ocorrem hoje sob nossos olhos, ela reunirá, como já faz agora, as opiniões divergentes ou flutuantes, e levará pouco a pouco, e pela força das coisas, à unidade na crença sobre esse ponto, crença que não será mais baseada numa hipótese, mas numa certeza. A unificação, feita no que concerne ao destino futuro das almas, será o primeiro ponto de aproximação entre os diferentes cultos, um passo imenso rumo à tolerância religiosa primeiramente, e mais tarde rumo à fusão.
[1] Um jovem de dezoito anos sofria de uma doença cardíaca declarada incurável. A ciência dissera: Ele pode morrer dentro de oito dias, como dentro de dois anos, mas daí não passará. O jovem sabia disso; imediatamente abandonou todo estudo, e entregou-se a todo tipo de excessos. Quando lhe mostravam quão perigosa era uma vida desregrada no seu estado, ele respondia: Que me importa, já que só tenho dois anos de vida? De que me serviria cansar o espírito a aprender? Aproveito o melhor possível os últimos momentos e quero divertir-me até o fim. Eis a consequência lógica do niilismo.
Se esse jovem fosse espírita, teria dito para si mesmo: A morte destruirá apenas meu corpo, que deixarei como uma roupa desgastada, mas meu Espírito viverá sempre. Eu serei, em minha vida futura, o que tiver feito de mim mesmo nesta vida; nada do que eu adquiri aqui de qualidades morais e intelectuais se perderá, pois serão ganhos para meu adiantamento; toda imperfeição da qual eu me despojar é um passo a mais na direção da felicidade; minha felicidade ou infelicidade no porvir dependem da utilidade ou inutilidade de minha existência presente. É, portanto, do meu interesse aproveitar o pouco de tempo que me resta, e evitar tudo o que poderia diminuir minhas forças. Qual dessas duas doutrinas é preferível?

sábado, 18 de outubro de 2014

Programa Momento Espírita 447

O Anjo - Filme Completo



O ANJO é um longa-metragem produzido por um grupo de artistas espíritas, com o único propósito de confortar os corações das pessoas que estão sofrendo com a perda de um ente querido. Mais de 100 voluntários deram o melhor de si para produzir este filme, que foi produzido sem recursos financeiros e com várias limitações técnicas. Apesar de tudo, o filme ficou com uma qualidade técnica impressionante, ao nível de muitos filmes nacionais.

Visite o blog do filme para obter mais informações.

http://filmeoanjo.blogspot.com.br/

terça-feira, 5 de agosto de 2014

O Homem - Roberto Carlos



A letra dessa música é uma psicografia de Chico Xavier ditada pelo espírito Emmanuel que foi entregue a Roberto Carlos nos “anos 70” em visita a Uberaba (MG) e juntamente com Erasmo Carlos, no ano de 1973, a transformaram nessa magnífica canção que emociona ao falar com simplicidade, mas extrema beleza da passagem do Mestre entre nós.


O Homem (R. Carlos e E. Carlos)

Um certo dia um homem esteve aqui
Tinha o olhar mais belo que já existiu
Tinha no cantar uma oração.
E no falar a mais linda canção que já se ouviu.

Sua voz falava só de amor
Todo gesto seu era de amor
E paz, Ele trazia no coração.

Ele pelos campos caminhou
Subiu as montanhas e falou do amor maior.
Fez a luz brilhar na escuridão
O sol nascer em cada coração que compreendeu

Que além da vida que se tem
Existe uma outra vida além e assim...
O renascer, morrer não é o fim.

Tudo que aqui Ele deixou
Não passou e vai sempre existir
Flores nos lugares que pisou
E o caminho certo pra seguir

Eu sei que Ele um dia vai voltar
E nos mesmos campos procurar o que plantou.
E colher o que de bom nasceu
Chorar pela semente que morreu sem florescer.

Mas ainda há tempo de plantar
Fazer dentro de si a flor do bem crescer
Pra Lhe entregar
Quando Ele aqui chegar

Tudo que aqui Ele deixou
Não passou e vai sempre existir
Flores nos lugares que pisou
E o caminho certo pra seguir

Tudo que aqui Ele deixou
Não passou e vai sempre existir
Flores nos lugares que pisou
E o caminho certo pra seguir